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Verdade Absoluta

Ninguém pode tirar seu direito de sofrer ou até se indignar… Só toma cuidado, não vá bater cartão em firma que não é a sua. De tudo que você errou na vida – e pode crer que errou – será que foi tudo erro seu? O amor de Julieta matou Romeu?

E aquela verdade absoluta que você sempre ouviu dizer (e acreditou), mas nunca procurou saber?

A você que leva fé em só no que está na bula, vai pra rua. Procure saber até de quem nunca procurou por você. Ou não. Faça o que quiser, viva o que quiser; tudo – glória e desgraça – vai e volta: “Boomerang blues”. A vida volta até depois do fim, não pense que todos os sorrisos de agora serão rios de boas lembranças. A mágoa vira névoa sobre a esperança. A verdade, às vezes, tem miopia. Quem quer ver o sol se por?

Música que inspirou: Autoramas – Verdade Absoluta

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Chorosa

É num dia desses que você acorda sem enxergar muito sentido. Por horas, fica muito escuro, não amanhece. Hoje, eu acordei com cem demônios brigando dentro de mim.

Ficou na noite anterior, aquela vontade de mudar o mundo, perdida em algum sonho – daqueles que você nunca se lembra ao acordar. Talvez o anjo da guarda – eu acredito nele – tenha virado um anjo caído, roubando todos os meus desejos de ser feliz.

Sobrou a voz que embarga, antes mesmo de sair. Sobrou o choro contido, que é o pior deles, pois pisoteia o coração. Fica um nó tão cego em volta do pescoço, que parece não perdoar o inevitável.

Até que invade a porta aquela canção de amor. Aquela que, parafraseando Leoni, me faz sorrir e perder a fala. A chorosa voz anuncia o pranto, libertador, transcendendo qualquer derrota (que veio, ou virá).

Parece bobo, já sei. Nada acalma melhor esses demônios que a música. É maior do que eu. Eu me vendo, eu me rendo aos seus primeiros acordes. Eu já me sinto melhor.

Música que inspirou: Cascadura – Chorosa

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Sonho de Garoto

Sabe quando você não acorda desse sonho nunca? Porque você acorda e não desperta. Perde a pose, a frieza de forma tão natural que só parece estar sonhando. Quando você vê pela tela e pela janela as histórias de amor e todas parecem tão bonitas, mas tão diferentes da sua.

Tenho certeza de que já amei antes. Não sou daqueles que aceitam o clichê de “se não era eterno, não era amor”. Amor é muito mais do que isso para se limitar a frases feitas. Mas se tem uma coisa que não sei – mesmo – explicar, é o hoje. Hoje parece amor e algo mais. Um algo mais cheio de frases feitas, de clichês e eternidades. Algo mais, só de olhar nos olhos e fazer planos para o ano que vem e os seguintes.

Apenas sei que o que sinto me guia e me faz correr. Insegurança? Quem nunca? Se pesa, arrumo um jeito de ficar, logo, leve. Porque me tira do chão e me coloca de novo, assim, sem machucar, sem queda. Eu me perco e me encontro todos os dias. É mais fácil estar neste amor. E eu só preciso ser eu mesmo, ainda que, às vezes, só um garoto.

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Indiferença

Seria só mais um para a minha coleção de sonhos bizarros. E eles estão cada vez mais raros. Aliás, todos os meus sonhos estão se perdendo.

Mas isso não é um lamento. Apenas sobre quando me tornei um demônio. Que andava sobre pedras em brasa, descalço, e nem sentia algum calor. A criança chorava com fome e não me comovia. Velhos davam seu último suspiro e eu nem mesmo me importava. Eu me incomodava mesmo era com uma estranha cauda que brotava da minha coluna vertebral e perfurava minha pele. Uma leve dor de cabeça anunciava: dois chifres mais clichês do que eu poderia imaginar. A transformação se completava. Orgásmico. Eu desfilava minha cauda, meus cornos e a indiferença sobre a suposta beleza pueril das criaturas terrestres. Bem, criaturas? Por quem? Quem estava mesmo por trás de todos aqueles seres medíocres que coabitavam esse lugarzinho?

Tropecei em minha própria arrogância e caí. Bati a cabeça no chão e quebrei um chifre. Desmaiei. Como pode alguém apagar em seu próprio sonho?

Meu cachorro latia. Em vez de mandá-lo se calar, eu sorri. Seu latido normalmente me irritava, mas ali senti uma vontade imensa de brincar com ele, de rolar no chão e vê-lo morder meu dedão do pé.

Sentei-me a beira da cama e percebi o frio do piso: que alegria sentir o chão gelado! Lembrei-me do namoro, que estava por um triz. Errei, e errei de novo. Errei feio e ela também. Senti-me mais que motivado a tentar de novo. Pensei até que, se não tivesse mais jeito, tudo bem. Agora, depois de muito tempo, eu estava disposto. A vida é boa e faz, faz diferença.

Música que inspirou: Móveis Coloniais de Acaju – Indiferença

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