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Imperfeito

Talvez a terapia resolva. Toda vez que alguém me pergunta algo sobre mim, eu desvio o assunto. Mesmo que quem pergunta seja a pessoa em quem mais confio. Dou graças a Deus (ainda que eu esteja meio distante Dele ultimamente) se estiver perto da TV: posso comentar as mil e uma tragédias diárias, os gays espancados e as juízas assassinadas. Não é que eu fuja da intimidade. Eu apenas desvio o olhar quando o centro sou eu. Por mais egocêntrico que me julguem, não gosto de ser o centro. Por que não veem isso pelo lado bom? Sou bom ouvinte… Parece tão imperfeito?

As palavras saem numa velocidade terrivelmente alta. É como se o mundo estivesse pra acabar e fosse a última coisa que eu escreveria. Nem tanto pela relevância, mais pela urgência de amenizar esse estrangulamento que às vezes surpreende. E leio depois, com medo de encontrar mais erros que acertos, e jogar tudo fora… outra vez. E acham tudo tão bonito e sensível. Parece tão imperfeito.

Eu não fui sempre assim. Apenas me acostumei a estar sozinho. Prefiro escrever a estar com a maior parte das pessoas que conheço. Já pisaram demais no meu coração quando o externei. Eu sou bom ouvinte porque me reconheço na dor. A mesma que só é compreendida, de fato, por raros: os verdadeiros dispostos a compreender. Pelo menos nas entrelinhas. Pareço tão imperfeito, mas quando digo: “vamos embora”, vamos.

Música que inspirou: Columbia – Imperfeito


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Aqui

De vez em quando acordo nostálgico. Nos dias em que me sinto sozinho (mesmo que eu não esteja, de fato, sozinho), busco alguma segurança nas mais vagas lembranças. Principalmente porque tenho um irmão e hoje já não somos mais tão amigos como antes.

Lembro quando fingimos que ele tinha morrido: eu o cobri com jornal na calçada do prédio em que morávamos. Gritava “Socorro, mataram meu irmão!”. E quando a casa foi assaltada de mentira, só enquanto minha mãe foi revelar umas fotos… uma série de efeitos sonoros pelo telefone.

Aqui, não estamos tão longe um do outro. Mas cada vez nos falamos menos e isso me assusta. Tenho medo de que ele faça alguma coisa muito errada e eu não esteja lá pra ajudar, como antigamente. Eu sou o irmão mais velho – e há muito tempo ele é bem mais alto do que eu. Eu sempre o defendia. Até mesmo contra nossa mãe.

Daqui, espero que ele cuide bem do que ele é, pelo que ainda vai se tornar. Que ele lembre sempre do que aprendemos juntos. A distância física – e até afetiva – me faz perceber como é bom quando, ao nos reencontrarmos, ver que bom continua seu coração.

Por aí, rimos sempre um do outro. E com o outro. Ninguém no mundo me entende melhor. No copo ou no braço. No tapa e no beijo. Não há de quem eu me orgulhe mais. Nada vai mudar isso, por mais que mudemos a cada dia.

Música que inspirou: Tulipa Ruiz – Aqui

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