Chorosa

É num dia desses que você acorda sem enxergar muito sentido. Por horas, fica muito escuro, não amanhece. Hoje, eu acordei com cem demônios brigando dentro de mim.

Ficou na noite anterior, aquela vontade de mudar o mundo, perdida em algum sonho – daqueles que você nunca se lembra ao acordar. Talvez o anjo da guarda – eu acredito nele – tenha virado um anjo caído, roubando todos os meus desejos de ser feliz.

Sobrou a voz que embarga, antes mesmo de sair. Sobrou o choro contido, que é o pior deles, pois pisoteia o coração. Fica um nó tão cego em volta do pescoço, que parece não perdoar o inevitável.

Até que invade a porta aquela canção de amor. Aquela que, parafraseando Leoni, me faz sorrir e perder a fala. A chorosa voz anuncia o pranto, libertador, transcendendo qualquer derrota (que veio, ou virá).

Parece bobo, já sei. Nada acalma melhor esses demônios que a música. É maior do que eu. Eu me vendo, eu me rendo aos seus primeiros acordes. Eu já me sinto melhor.

Música que inspirou: Cascadura – Chorosa

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